O estúdio Yoga is Now é um refúgio de serenidade, onde cada respiração conecta corpo e mente, trazendo equilíbrio, bem-estar e leveza ao presente. O espaço da professora de yoga Christelle foi a escolha perfeita para uma sessão fotográfica dos lenços de seda, desenvolvidos de forma artesanal por Deborah Rocha, utilizando elementos da natureza.
Era uma manhã de quarta-feira, 7 de agosto de 2024, quando nos encontramos, primeiro para uma sessão relaxante de yoga no estúdio Yoga is Now. Com as lentes da fotógrafa Juliana Bezerra de Mello, capturamos belíssimas imagens minimalistas dos lenços – as grandes estrelas do dia. A iluminação suave e a luz natural, que entrava pelas amplas janelas de vidro do espaço, criaram composições em uma atmosfera aconchegante, onde todos participaram cheios de ideias e entusiasmo.






À tarde, exploramos o laboratório de tingimento dos lenços, localizado na casa de Deborah, onde foram fotografadas tanto a preparação das cores quanto suas fontes naturais de tingimento.
A cor azul foi um dos elementos de inspiração para a criação da marca Do Fio da Seda, plataforma multidisciplinar na qual Deborah Rocha explora e desenvolve lenços de seda tingidos artesanalmente com elementos naturais, como o índigo, que dá vida aos lenços em tons de azul.
Em sua palestra “Ode ao Azul”, Deborah compartilha suas experiências e conhecimentos sobre a história e a magia dessa cor sedosa no cruzamento da Rota da Seda com a Rota das Especiarias. Uma viagem durável e transformável com destino ao azul do Brasil. O projeto Do Fio da Seda é dedicado a trilhar os caminhos dos fios da seda, sua história e usos nas diversas realizações do conhecimento, buscando associar as tramas da seda e sua arte com as complexas relações humanas.

A palavra índigo tem origem no latim indicum, que significa “da Índia“, fazendo referência ao local de onde os europeus importavam o pigmento. Esse termo, por sua vez, vem do grego indikon, com o mesmo significado. O índigo é um dos corantes naturais mais antigos da humanidade, extraído tradicionalmente da planta Indigofera tinctoria, cultivada na Índia, China, África e América do Sul. Ele era amplamente utilizado por civilizações antigas, como egípcios, persas, gregos e romanos, para tingir tecidos. Com o tempo, a palavra índigo passou a designar tanto a cor quanto o pigmento, tornando-se um tom icônico, associado à profundidade, espiritualidade e tradição artesanal.

“Tingidos à mão por Deborah, esse processo de coloração com elementos naturais chamou imediatamente minha atenção”, diz Juliana Bezerra. “Como fotógrafa, também sigo um processo artesanal na criação de imagens com uma técnica histórica da fotografia: o cianótipo, que também permite ‘colorir’ a imagem por meio de banhos em diferentes produtos naturais”, continua.
“Encontrei muitas semelhanças entre sua prática artesanal de tingimento e o cianótipo: há um envolvimento genuíno em sua atividade, pois tudo é feito manualmente, com muito cuidado, respeitando o tempo e os materiais. Além disso, há uma dimensão alquímica… Ousar experimentar, buscar na experimentação e até nas imperfeições um caminho para manter a história do material viva, ao mesmo tempo em que se cria novas narrativas.”

